domingo, 20 de outubro de 2013


Toda saudade é um canto. Toda saudade é um silêncio. Uma revoada de ecos. Um ninho de ocos. Toda saudade é um pouco esquecer. Toda saudade é uma prisão. Uma corrente, um grilhão. Toda saudade é ilusão. Um medo, um pedido, uma ilha, um desvão. Toda saudade é um visgo. Toda saudade é uma faca, uma espada. Covardia e coragem. Um canto, um silêncio, um limbo, uma Sé. Um tanto que fere, um vazio, um morrer. Toda saudade é um ego. Solidão, distância, apego. Toda saudade é um pouco de fé. Toda saudade é.

Van Luchiari 

O amor maduro...


"O amor maduro não é menor em intensidade.
Ele é apenas quase silencioso. Não é menor em extensão.
É mais definido, colorido e poetizado.
Não carece de demonstrações: presenteia com a verdade do sentimento.
Não precisa de presenças exigidas: amplia-se com as ausências significantes.
O amor maduro somente aceita viver os problemas da felicidade.
Problemas da felicidade são formas trabalhosas de construir o bem e o prazer.
Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro.
O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão.
Basta-se com o todo do pouco.
Não precisa nem quer nada do muito.
Está relacionado com a vida e a sua incompletude, por isso é pleno em cada ninharia por ele transformada em paraíso.
É feito de compreensão, música e mistério.
É a forma sublime de ser adulto e a forma adulta de ser sublime e criança.
O amor maduro não disputa, não cobra, pouco pergunta, menos quer saber. Teme, sim. Porém, não faz do temor, argumento.
Basta-se com a própria existência.
Alimenta-se do instante presente valorizado e importante porque redentor de todos os equívocos do passado.
O amor maduro é a regeneração de cada erro.
Ele é filho da capacidade de crer e continuar, é o sentimento que se manteve mais forte depois de todas as ameaças, guerras ou inundações existenciais com epidemias de ciúme.
O amor maduro é a valorização do melhor do outro e a relação com a parte salva de cada pessoa.
Ele vive do que não morreu mesmo tendo ficado para depois.
Vive do que fermentou criando dimensões novas para sentimentos antigos, jardins abandonados cheios de sementes.
Ele não pede, tem.
Não reivindica, consegue.
Não persegue, recebe.
Não exige, dá. Não pergunta, adivinha.
Existe, para fazer feliz.
Só teme o que cansa, machuca ou desgasta."

Arthur da Távola

sábado, 28 de setembro de 2013


"Acontece que nasci com a fé no bolso e a alma limpa. E é nos caminhos tortos que me encontro, nas palavras duras que me ajeito, me conserto e vou. Sigo e não paro nunca. Destino: felicidade.
Sim, sou uma otimista de carteirinha. E é por isso que trago sempre comigo um tanto de leveza, brilho nos olhos e esse sorriso largo... e desde já aviso: vou chegar lá."

Virgínia Mello